sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

AUTO-RECORDAÇÃO E AUTO OBSERVAÇÃO

AUTO-RECORDAÇÃO E AUTO-OBSERVAÇÃO


 
Aqui encontramos o OM em sânscrito,
som primordial de caracter universal, que devemos entoar
e recordar na pratica da atenção consciente

Cada dia que passa deve ser um dia de maior consciência, um dia de triunfos sobre o Ego. Um dia perdido, um dia insubstancial, é um dia de triunfo para o Ego, para a razão.
As grandes batalhas se realizam no cenário da vida. Toda a guerra cruel tem por campo de batalha, NÓS MESMOS.

 As lutas são internas, íntimas. Vai fornicar, diz o Eu da luxuria . . e a CONSCIÊNCIA, o BUDHATA, diz: NÃO!, e opõe uma resistência tenaz; vencido momentaneamente, o EU da luxuria aguardará outra oportunidade, a menos esperada, para voltar a atacar, enquanto isso, outro eu oferece batalha: Vai a "tomar um trago", diz um dos Eus alcóolicos, o Budhata põe toda a resistência possível, e se vence, o Eu do alcoolismo se submerge fazendo chispas, protestando na profundidade do subconsciente; então surge outro eu: "Vai fumar um cigarro", diz um dos Eus fumadores . . . Se o discípulo fuma, então é simplesmente vitima do Eu fumante e perde uma batalha; e assim interruptamente se sucede as ciladas do Ego contra o Budhata.
Se o Budhata não está alerta, a qualquer momento pode ser vítima de um dos Eus da fornicação e perderá muito do que foi conquistado.

Todos os eus devem ser controlados, mas a batalha fundamental é a que se sustenta contra os eus da FORNICAÇÃO.
As investidas dos diferentes eus não são lentas, premeditadas, alertadas, etc. Estes ataques e investidas do Ego são imprevistas, inesperadas e violentas, por isso que é necessário viver plenamente alerta, vigilante como o "vigia em tempo de guerra", prontos a evitar as investidas do inimigo interno. Que ladrão poderá se meter na sua casa, se ela está muito bem vigiada?
É isto que se faz necessário para o controle do Ego e o despertar da consciência.
Mantendo uma vigilância constante, permanente, sobre nós mesmos; uma vigilância cuidadosa em todos e cada um dos cantos da nossa casa, em todas e cada uma das portas de nossa cidade.
Se deve manter a atenção total, muito bem distribuída em tudo aquilo que realmente somos, no que realizamos fazer e em todo o lugar onde nos encontramos.
Para controlar perfeitamente o movimento dos eus, devemos exercitar uma pratica constante de Auto-recordação, de recordamos de nós mesmos.
Se não nos recordamos de nós mesmos, se não nos observarmos em um dado momento, não poderemos sequer darmos conta do que estamos fazendo, do que realmente somos, nem do lugar onde nos encontramos.
O recorda-se de SI mesmo é algo de indiscutível importância, se realmente anela-se o Despertar da Consciência. Só mediante a AUTO-RECORDAÇÃO é que podemos observar a nós mesmo. Se não nos recordamos, é impossível poder observarmos e não poderemos recordarmos se não nos observamos, se não nos AUTO OBSERVAMOS. AUTO-OBSERVAÇÃO e AUTO-RECORDAÇÃO são imprescindíveis para o DESPERTAR da CONSCIÊNCIA.
A auto-observação nos permite ter consciência do que fazemos e do lugar onde nos encontramos. A Auto-recordação nos permite ter consciência de NÓS MESMOS. É necessário e indiscutível que toda pratica de auto observação, venha acompanhada de Auto-recordação. Sem Auto-observação não há Auto-recordação. 


A Auto-observação sem a Auto-recordação conduz a fascinação completa, a identificação absoluta com aquilo que realizamos em dado momento: por exemplo, se nos encontramos numa festa de aniversário, e nos observamos a nós mesmos, poderemos nos ver tomar uma taça e mais outra taça, poderemos ver inclusive o nossos estado inconveniente, assim até perder completamente toda a noção. Havemos simplesmente observado, nos observado, chegando a uma total embriaguez.
Houve observação mas não AUTO-RECORDAÇÃO. 
Quem simplesmente se observa, capta o mundo que o rodeia e as coisas que faz, mas não se recorda de si mesmo, não exerce nenhum controle contra o Ego, por tanto não realiza nenhum esforço para despertar a consciência.
Quem só se recorda a si mesmo sem lograr AUTO OBSERVAR-SE, perde toda a noção da realidade, se isolando completamente dela. Assim, no caso de um aniversário, o "convidado" se recorda de si mesmo, se afasta-se a uma esquina, se esquece completamente do lugar onde se encontra e do que está fazendo: Ambos os casos isolados conduzem somente ao fracasso, ao erro.
O que diríamos daquele gladiador que em combate simplesmente se AUTO RECORDA, se identifica como gladiador e deduz que tem que combater, e continua com suas elaborações, obtendo uma série de suposições a que deve estar submetido, suposições do que deve fazer? Enquanto isso vem o "outro" e acaba com ele.
O que diríamos daquele outro que somente se observa e que se encontra no campo de batalha, se observa, luta, combate; mas como não se auto recorda, o combate se estende inclusive contra seus companheiros de luta, não identifica seus inimigos, combate "só" , estando fascinado pelo combate. 
A batalha já pode até ter terminado, mas continua combatendo.


 AUTO RECORDAÇÃO E AUTO OBSERVAÇÃO são práticas indispensáveis que devem viver todo aquele que anele realmente o despertar de sua Consciência. JAMAIS se pode DESPERTAR A CONSCIÊNCIA utilizando as funções do EGO; PORQUE, PARA DESPERTAR A CONSCIÊNCIA, HÁ QUE UTILIZAR AS FUNÇÕES PRÓPRIAS DA CONSCIÊNCIA. Racionalizando, jamais se logra o despertar da consciência. Para despertar a consciência é necessário deixar de racionalizar. Só quem deixa de racionalizar chega a iniciar o difícil trabalho de DESPERTAR A CONSCIÊNCIA.
As funções do EGO são eminentemente mentais, claramente racionais e nenhum processo racional, mental, volitivo, sensual, instintivo e animal , vai alcançar o ansiado DESPERTAR.

As maiores complicações a que está sujeita a criatura racional, se deve simplesmente a razão; enquanto mais complicadas sejam as diferentes situações racionais, mas fascinada se encontra a pessoa, submetida plenamente em uma constante batalha de suas conflitantes racionalizações.
A razão é completamente incapaz de lograr uma perfeita auto-observação e uma total auto- recordação. A auto-recordação e a auto-observação devem ser simultâneas e não alternadas. Se a razão realizar esta prática da consciência, não conseguirá sair da alternância. Em todo instante, tudo deve passar por uma AUTO OBSERVAÇÃO e uma AUTO RECORDAÇÃO completa, integra, simultânea. Este tipo de trabalho superior não pode ser realizado pela mente, pela razão, porque é um trabalho eminentemente consciente. 
A RECORDAÇÃO DE SI MESMO não deve girar em torno da personalidade ou do aspecto puramente físico ou em torno do EU; a recordação deve ser realizada como CONSCIÊNCIA, COMO CHISPA DIVINA, como BUDHATA. Para que precisaríamos recordar do Ego? Não pretendemos em nenhum momento "fazer consciente" o ego; é necessário diferenciar claramente este aspecto e auto recordarmos como BUDHATA. 
Agora, entenderam nossos discípulos porque não se pode realizar este trabalho no nível mental. A observação é clara e concreta, no sentido de que a pratica deve ser realizada pela consciência e em torno das atividades que realizam o ego. A consciência está prisioneira, mas da sua prisão pode controlar os atos do Ego e refreá-los quando desperta. A consciência BUDHATA não faz absolutamente nada porque se encontra prisioneira e adormecida nas profundezas da mente. 
Quem intenta controlar o ego, é o BUDHATA, mas esses intentos só se realizam quando a consciência deseja despertar.
Quando a intenção de despertar é positiva, é quando se controla o Ego. Enquanto persiste o controle, a consciência está trabalhando e enquanto trabalha, imprimirá maior vigor a seu próprio despertar, evitará a manifestação dos eus e o fornecimento de alimento ao Ego.
Quem intenta fazer "algo" contra o processo de despertar é o Ego; tem que se controlar o Ego e todas as suas ações. Há de se auto-observar as funções do próprio Ego.
O Eu ao Auto-observar-se, faz-se cúmplice do delito, da ação negativa e não põe freio a desenfreada ação; exemplo: Um eu tomou o controle da máquina humana e a conduz a fornicação . . Outro eu, observa . . . simplesmente observa e pode inclusive participar das ações anteriores ou derivadas da fornicação. A observação do eu, pelo próprio eu, não serve de nada.
Não há Eu bom ou EU SUPERIOR, todos são componentes de um mesmo tronco podre.
O Eu não é Nada de bom, nada de bom tem o Ego, o Ego não pode auto observar-se, menos se auto-recordar.

As justificativas do crime e do delito são a aceitação de um EU superior e de um Eu Inferior.
O verme racional utiliza este argumento para cometer os piores delitos: "É o meu eu inferior que comete pecado e não eu, nem meu eu superior", dizem.

O Eu não pode controlar o Eu. Quem pode e deve controlar o eu, o Ego, é O Budhata, a consciência. Quem pode e deve controlar todo o mecanismo complicado do funcionalismo EGOÍSTA é o BUDHATA. Quem pode e deve realizar a prática ou exercício constante de AUTO-RECORDAÇÃO e a AUTO-OBSERVAÇÃO é o BUDHATA, a CONSCIÊNCIA. A mente é incapaz de realizar este exercício e se não o faz é unicamente para participar de todos os atos do Ego.
A AUTO-RECORDAÇÃO e a AUTO-OBSERVAÇÃO intima de nós mesmo, trás como conseqüência a DIVISÃO DA ATENÇÃO CONSCIENTE em INDIVÍDUO, AÇÃO E LOCAL.
Note que falamos de ATENÇÃO CONSCIENTE.
Existe uma função do intelecto, da mente ou Ego que é simplesmente A ATENÇÃO. O Ego presta atenção aquilo que lhe interessa e lhe importa para sua sobrevivência e satisfação.

A atenção, assim as cegas, simplesmente é uma função animal. Não nos referimos a ela, queremos despertar consciência, por isso que nos referimos as próprias funções da consciência.
Uma das funções conscientes é precisamente a ATENÇÃO CONSCIENTE, o que queremos é ORIENTAR nossa ATENÇÃO CONSCIENTE em direção ao INDIVÍDUO, a AÇÃO e ao LOCAL. A atenção intelectual, a atenção egoísta, jamais poderá chegar a captar todo o conteúdo do INDIVÍDUO, da sua AÇÃO e da sua LOCALIZAÇÃO. Este trabalho só é possível para a Consciência mediante a função da ATENÇÃO CONSCIENTE. A ATENÇÃO CONSCIENTE deve realizar o seu trabalho, aqui, agora, neste instante e não amanhã ou em outro momento. Como trabalhar a ATENÇÃO CONSCIENTE?
Este é um trabalho, reiteramos, da CONSCIÊNCIA, não do Ego. O Ego não pode trabalhar com a ATENÇÃO CONSCIENTE, porque não é a sua função. Ninguém pode mastigar com dentadura alheia. 
O Ego não pode realizar nenhuma divisão de sua atenção, porque se encontra completamente dividido.
Queremos evitar toda manifestação egoísta, queremos o trabalho da atenção consciente para o despertar disso que é a CONSCIÊNCIA.